
“Branca de Neve” | Acervo Pessoal
O dia ainda estava começando quando eu girei a chave do “Branca de Neve”, como carinhosamente chamo o meu Troller.
O motor despertou com aquele ronco forte, como se também soubesse que aquele não seria um dia qualquer.
À frente, uma estrada de terra desaparecia entre montanhas, pedras e árvores. Segurei firme o volante, coloquei o “Branca de Neve” na segunda reduzida e entrei na trilha.
— Hoje nós vamos até onde a estrada deixar! — falei, com a satisfação de um garoto que ganha um pirulito, pois, quando estamos na trilha e dentro do jipe, viramos meninos outra vez.
A cada curva, a paisagem ficava mais bonita. O caminho estreitava, algumas pedras apareciam pelo chão e a subida ficava cada vez mais íngreme. Reduzi a marcha e deixei meu amigo trabalhar.
Subiu.
Passou pelas pedras.
Desceu um trecho escorregadio.
E, quando parecia que a trilha tinha acabado, surgiu um pequeno riacho atravessando o caminho. Parei, olhei para a água e respirei fundo.
— É por aqui mesmo.
Engatei a tração, entrei devagar no riacho e o “Branca de Neve” atravessou levantando pequenas ondas. Do outro lado, olhei pelo retrovisor e dei aquele sorriso de quem acabou de vencer mais um desafio.
Depois de algumas horas, a trilha finalmente terminou no alto de uma montanha.
Respirei e desliguei o motor.
Por alguns segundos, ficou apenas o silêncio.
À minha frente, um imenso vale se estendia até onde os olhos conseguiam alcançar. O vento passava pelo rosto e o sol iluminava as montanhas.
Eu saí do “Bichão”, encostei-me na porta e fiquei contemplando aquela paisagem enquanto escutava minha trilha sonora preferida, com Silas West.
Naquele momento, percebi que a verdadeira aventura não estava apenas em vencer pedras, lama ou subidas.
Estava em estar ali.
No volante do meu Troller, seguindo meu próprio caminho, descobrindo lugares que só aparecem para quem tem coragem de sair da estrada conhecida.
E, pensando em Deus, sorri e agradeci ao Senhor por me dar a chance de conhecer mais uma de suas obras maravilhosas.
Porque sabia que aquela trilha tinha terminado…
Mas a próxima aventura já estava esperando por mim.
Esta história foi enviada pelo leitor do Jornal Feliz, Mustafa, de Brumadinho/MG.
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